A POESIA DE CRUZ E SOUSA
Simbolismo
Musicalidade, as palavras tem valor sonoro,são comparadas a música.
Subjetividade, com a valorização do inconsciente,da busca do vago, do estado da alma e do sonho.
Espiritualidade, apresenta uma atmosfera de delírio, o caráter ideológico do verso e o mistério são constantes, traduzidas pelos temas da morte, desencanto pela vida, fé cristã transcendentalismo.
Sugestão, afastando a descrição, criam-se novas
imagens, novos símbolos que acentuam a carga emotiva das palavras, na tentativa de expressar o vago, o incorpóreo e o não concreto.
Em uma segunda fase já com as más sortes da vida, a loucura da esposa e
imbuído de maior maturidade, publica Faróis em 1900 e desta fase temos o poema Musica da morte”
"A música da morte", a nebulosa, novas imagens, novos símbolos que acentuam a carga emotiva das palavras, na tentativa de expressar o vago, o incorpóreo e o não concreto.
As críticas ao simbolismo no final do século XIX ,que a sociedade de ideologia
positivista impunha, resulta em uma ilegitimidade do Simbolismo pelo movimento de estéticas tão divergentes das atuais.
O decadentismo, movimento anterior ao Simbolismo, em que o estado de espírito é que se configura diante do mundo, onde o poeta expõe a transição do antigo para o
moderno, sem deixar de lado suas tradições, compreendendo melhor a realidade, abre caminho para o Simbolismo com uma estética própria, adversa da lógica da sociedade burguesa do final do século XIX.
A subjetividade , as dimensões não racionais de ordem sentimental dos românticos, são aprofundadas pelos simbolistas que recorrem ao inconsciente e subconsciente desencadeando uma ilogicidade em muitos dos poemas. Uma retomada das dimensões não racionais. A transcendência do eu consigo próprio e o mundo, na busca do consciente e subconsciente para determinar o mistério das relações, a partir de imagens, o simbolismo era rico em figuras de linguagem, definem uma nova forma lírica.
Simbolismo e Cruz e Sousa
Cruz e Sousa é considerado o mais importante e original poeta brasileiro que
representante do simbolismo no Brasil juntamente com Alphonsus de Guimaraens.
As principais caracteŕisticas de suas obras no plano temático são a morte a
transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a angústia e a sublimação sexual, a escravidão e uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca;
No plano formal: as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das
palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos e o uso metáforas.Mestre do simbolismo no Brasil, a transcendência poética descrita em suas obras revela sua incompreensão com a ordem social vigente e a dor de sua existência em dimensão metafísica em seus poemas.
A dor traduzida em poesia traduz seus dramas e angústias em que podemos
observar três fases.Em uma primeira fase canta as marcas da questão racial co
enaltecendo o branco ou a cor branca como em Antífona:
Ó Formas alvas, brancas, Formas Claras
de luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
stranha, imensa, música sombria,
passa a tremer pela minh’alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa...
A terceira fase é marcada em sua obra “Últimos Sonetos” onde se mostra
resignado com a miséria humana, com as marcas subliminares da dor em seus poemas
como em “Piedade”
O coração de todo ser humano
Foi concebido para ter piedade,
Para olhar e sentir com caridade,
Ficar mais doce o eterno desengano.
Principais obras de Cruz e Sousa
Missal (prosa)1893
Broquéis (poesia)1893
Tropos e fantasias 1885
Últimos Sonetos 1905Evocações 1898
Sorriso Interior 1905
Triunfo Supremo 1905
Vida Obscura 1905
Chevalier e Gheerbrant dizem que “a noite simboliza o tempo das gestações, das germinações, das conspirações, que vão desabrochar em pleno dia como manifestação de vida. Ela é rica em todas as virtualidades da existência. Mas entrar na noite é voltar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos e monstros, as idéias negras. Ela é a imagem do inconsciente e, no sono da noite, o inconsciente se libera. Como todo símbolo, a noite apresenta um duploaspecto, o das trevas onde fermenta o vir a ser, e o da preparação do dia,de onde brotará
a luz da vida.”
Ana Maria Lisboa de Mello discorre , que a noite, em diferentes tradições, é o símbolo do indiferenciado, lugar onde as formas se dissolvem, ou seja, perdem seus contornos e se integram à totalidade. Por outro lado, é a noite o lugar de origem de todas as formas, sugerindo, portanto, a associação ao centro, lugar do sagrado. Trata-se, portanto, de um símbolo de dupla face que se situa, de qualquer forma, no âmbito dos mistérios inalcançáveis à compreensão humana.
Em Monja negra a os muitos significados da noite de Cruz e Sousa revela o eu
lírico poético atormentado em busca de solução a seus anseios.
O poeta Cruz e Sousa como podemos observar nos fragmentos da poesia Monja
Negra, onde o eu- lírico presente na poesia, tem a noite como símbolos, que concede, a ele a liberdade não encontrada durante o dia expressando o seu jeito poético de se, contrapondo vida ou morte, corpo ou espírito ,mulher negra ou branca resulta em lírica de suas angústias e sofrimentos vividos durante dia, expressa em contraponto a noite como lugar de alívio e repouso de seus anseios. Tem a noite como símbolo ambíguo de sua dor, a misticidade de sua poética revela a noite transformadora quanto as suas aflições e
sofrimento e as suaviza transformando a vastidão da noite em aliada de seus anseios apaziguando suas aflições.
Monja Negra
[...] Almas sem rumo já, corações sem destino
Vão em busca de ti, por vastidões incertas...
E no teu sonho astral, mago e luciferino,
os pélagos sem fim, vorazes e medonhos,
Abafa para sempre os soluços noturnos,
E as dilacerações dos formidáveis Sonhos!
[...] Ah! Noite original, noite desconsolada,
Monja da solidão, espiritual e augusta,
Onde fica o teu reino, a região vedada,
A região secreta, a região vetusta?!
[...] Ó grande Monja negra e transfiguradora,
Magia sem igual nos páramos eternos,
Quem assim te criou, selvagem, Sonhadora,
Da carícia de céus e do negror d’infernos?
[...] Que glorioso troféu andar assim perdido
Na larga vastidão do mudo firmamento,
Na noite virginal ocultamente ungido,
Nas transfigurações do humano sentimento!
[...]Ó negra monja triste, ó grande Soberana,
Tentadora Visão que me seduzes tanto,
Abençoa meu ser no teu doce Nirvana
No teu Sepulcro ideal de desolado encanto!
Hóstia negra e feral da comunhão dos mortos,
Noite criadora, mãe dos gnomos, dos vampiros,
Passageira senil dos encantados portos
Ó cego sem bordão da torre dos suspiros...
Abençoa meu ser, unge-os dos óleos castos,
Enche-o de turbilhões de sonâmbulas aves,
Para eu me difundir nos teus Sacrários vastos,
Para me consolar com os teus Silêncios graves.
Fonte de pesquisa:
Frazão-Diva-Cruz e Sousa-Poeta Brasileiro
https://www.ebiografia.com/cruz_e_sousa/acesso em: 12 demarço 2019.
MEDEIROS,Maria Lúcia de. /A Imaginação Simbólica De Cruz e Sousa. 2005. 108f. Dissertação
de Mestrado – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005
Simbolismo
Movimento Positivista se originou na França no começo do século XIX e para se
contrapor a estética positivista, os Franceses Charles Baudelaire, Mallarmé e Verlaine, provocaram as primeiras manifestações do Simbolismo no ocidente, como uma revolution poética e estética, revelando um momento poético em que a introspecção aos universos interior e exterior do poeta eram explorados, se contrapondo a moralidade da sociedade e a poesia convencional da época .
Entre eles, Charles Baudelaire se destaca como precursor do Simbolismo com a Obra “As Flores do Mal”, de publicação de 1857.
Simbolismo surge na contramão do movimento Positivista em que a subjetividade doartista não era relevante.
Simbolismo no final do século XIX no Brasil
Movimento do Simbolismo no Brasil surge com características próprias junto a
realidade sócio cultural do começo do século XIX desempenhando papel importante nomovimento.
O final do XIX aponta uma nova estética poética que se configurava na sociedade brasileira, influenciado pelas manifestações poéticas francesas oriundas da ruptura do ocidente com o pensamento materialista do positivismo.
A influência dos poetas Franceses, se faz presente no Simbolismo Brasileiro tendo como precursor e o poeta maior, Cruz e Sousa, considerado o mais importante poeta simbolista brasileiro Sua obra que dá início ao Simbolismo no Brasil,’’Missal(prosa e poética) e Broquéis’’foi publicada em 1893, juntamente com obras do poeta Alphonsus de Guimaraens
Linguagem do Simbolismo é carregada de símbolos, face a linguagem de literatura impessoal da época, e possui características como a musicalidade, subjetividade, espiritualidade, sugestãoMusicalidade, as palavras tem valor sonoro,são comparadas a música.
Subjetividade, com a valorização do inconsciente,da busca do vago, do estado da alma e do sonho.
Espiritualidade, apresenta uma atmosfera de delírio, o caráter ideológico do verso e o mistério são constantes, traduzidas pelos temas da morte, desencanto pela vida, fé cristã transcendentalismo.
Sugestão, afastando a descrição, criam-se novas
imagens, novos símbolos que acentuam a carga emotiva das palavras, na tentativa de expressar o vago, o incorpóreo e o não concreto.
Em uma segunda fase já com as más sortes da vida, a loucura da esposa e
imbuído de maior maturidade, publica Faróis em 1900 e desta fase temos o poema Musica da morte”
"A música da morte", a nebulosa, novas imagens, novos símbolos que acentuam a carga emotiva das palavras, na tentativa de expressar o vago, o incorpóreo e o não concreto.
As críticas ao simbolismo no final do século XIX ,que a sociedade de ideologia
positivista impunha, resulta em uma ilegitimidade do Simbolismo pelo movimento de estéticas tão divergentes das atuais.
O decadentismo, movimento anterior ao Simbolismo, em que o estado de espírito é que se configura diante do mundo, onde o poeta expõe a transição do antigo para o
moderno, sem deixar de lado suas tradições, compreendendo melhor a realidade, abre caminho para o Simbolismo com uma estética própria, adversa da lógica da sociedade burguesa do final do século XIX.
A subjetividade , as dimensões não racionais de ordem sentimental dos românticos, são aprofundadas pelos simbolistas que recorrem ao inconsciente e subconsciente desencadeando uma ilogicidade em muitos dos poemas. Uma retomada das dimensões não racionais. A transcendência do eu consigo próprio e o mundo, na busca do consciente e subconsciente para determinar o mistério das relações, a partir de imagens, o simbolismo era rico em figuras de linguagem, definem uma nova forma lírica.
Simbolismo e Cruz e Sousa
Cruz e Sousa é considerado o mais importante e original poeta brasileiro que
representante do simbolismo no Brasil juntamente com Alphonsus de Guimaraens.
As principais caracteŕisticas de suas obras no plano temático são a morte a
transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a angústia e a sublimação sexual, a escravidão e uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca;
No plano formal: as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das
palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos e o uso metáforas.Mestre do simbolismo no Brasil, a transcendência poética descrita em suas obras revela sua incompreensão com a ordem social vigente e a dor de sua existência em dimensão metafísica em seus poemas.
A dor traduzida em poesia traduz seus dramas e angústias em que podemos
observar três fases.Em uma primeira fase canta as marcas da questão racial co
enaltecendo o branco ou a cor branca como em Antífona:
Ó Formas alvas, brancas, Formas Claras
de luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
stranha, imensa, música sombria,
passa a tremer pela minh’alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa...
A terceira fase é marcada em sua obra “Últimos Sonetos” onde se mostra
resignado com a miséria humana, com as marcas subliminares da dor em seus poemas
como em “Piedade”
O coração de todo ser humano
Foi concebido para ter piedade,
Para olhar e sentir com caridade,
Ficar mais doce o eterno desengano.
Principais obras de Cruz e Sousa
Missal (prosa)1893
Broquéis (poesia)1893
Tropos e fantasias 1885
Últimos Sonetos 1905Evocações 1898
Sorriso Interior 1905
Triunfo Supremo 1905
Vida Obscura 1905
Chevalier e Gheerbrant dizem que “a noite simboliza o tempo das gestações, das germinações, das conspirações, que vão desabrochar em pleno dia como manifestação de vida. Ela é rica em todas as virtualidades da existência. Mas entrar na noite é voltar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos e monstros, as idéias negras. Ela é a imagem do inconsciente e, no sono da noite, o inconsciente se libera. Como todo símbolo, a noite apresenta um duploaspecto, o das trevas onde fermenta o vir a ser, e o da preparação do dia,de onde brotará
a luz da vida.”
Ana Maria Lisboa de Mello discorre , que a noite, em diferentes tradições, é o símbolo do indiferenciado, lugar onde as formas se dissolvem, ou seja, perdem seus contornos e se integram à totalidade. Por outro lado, é a noite o lugar de origem de todas as formas, sugerindo, portanto, a associação ao centro, lugar do sagrado. Trata-se, portanto, de um símbolo de dupla face que se situa, de qualquer forma, no âmbito dos mistérios inalcançáveis à compreensão humana.
Em Monja negra a os muitos significados da noite de Cruz e Sousa revela o eu
lírico poético atormentado em busca de solução a seus anseios.
O poeta Cruz e Sousa como podemos observar nos fragmentos da poesia Monja
Negra, onde o eu- lírico presente na poesia, tem a noite como símbolos, que concede, a ele a liberdade não encontrada durante o dia expressando o seu jeito poético de se, contrapondo vida ou morte, corpo ou espírito ,mulher negra ou branca resulta em lírica de suas angústias e sofrimentos vividos durante dia, expressa em contraponto a noite como lugar de alívio e repouso de seus anseios. Tem a noite como símbolo ambíguo de sua dor, a misticidade de sua poética revela a noite transformadora quanto as suas aflições e
sofrimento e as suaviza transformando a vastidão da noite em aliada de seus anseios apaziguando suas aflições.
Monja Negra
[...] Almas sem rumo já, corações sem destino
Vão em busca de ti, por vastidões incertas...
E no teu sonho astral, mago e luciferino,
os pélagos sem fim, vorazes e medonhos,
Abafa para sempre os soluços noturnos,
E as dilacerações dos formidáveis Sonhos!
[...] Ah! Noite original, noite desconsolada,
Monja da solidão, espiritual e augusta,
Onde fica o teu reino, a região vedada,
A região secreta, a região vetusta?!
[...] Ó grande Monja negra e transfiguradora,
Magia sem igual nos páramos eternos,
Quem assim te criou, selvagem, Sonhadora,
Da carícia de céus e do negror d’infernos?
[...] Que glorioso troféu andar assim perdido
Na larga vastidão do mudo firmamento,
Na noite virginal ocultamente ungido,
Nas transfigurações do humano sentimento!
[...]Ó negra monja triste, ó grande Soberana,
Tentadora Visão que me seduzes tanto,
Abençoa meu ser no teu doce Nirvana
No teu Sepulcro ideal de desolado encanto!
Hóstia negra e feral da comunhão dos mortos,
Noite criadora, mãe dos gnomos, dos vampiros,
Passageira senil dos encantados portos
Ó cego sem bordão da torre dos suspiros...
Abençoa meu ser, unge-os dos óleos castos,
Enche-o de turbilhões de sonâmbulas aves,
Para eu me difundir nos teus Sacrários vastos,
Para me consolar com os teus Silêncios graves.
Fonte de pesquisa:
Frazão-Diva-Cruz e Sousa-Poeta Brasileiro
https://www.ebiografia.com/cruz_e_sousa/acesso em: 12 demarço 2019.
MEDEIROS,Maria Lúcia de. /A Imaginação Simbólica De Cruz e Sousa. 2005. 108f. Dissertação
de Mestrado – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005
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