UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO CAMPUS DE GUARULHOS
CURSO DE LETRAS
TRABALHO DE ANÁLISE LITERÁRIA
“JUNTO DE UM SECO, FERO E ESTÉRIL MONTE”
LUÍS DE CAMÕES
Abigail Pereira Fabiano
GUARULHOS
2018
Trabalho de Análise Literária
Junto de um seco, fero e estéril monte,
Abigail Pereira Fabiano
Junto de um seco, fero e estéril monte,
inútil e despido, calvo, informe,
da natureza em tudo aborrecido;
onde nem ave voa, ou fera dorme,
nem rio claro corre, ou ferve fonte,
nem verde ramo faz doce ruído;
cujo nome, do vulgo introduzido
é felix, por antífrase, infelice;
o qual a Natureza
situou junto à parte
onde um braço de mar alto reparte
Abássia, da arábica aspereza,
onde fundada já foi Berenice,
ficando a parte donde
o sol que nele ferve se lhe esconde;
A primeira estrofe o poeta situa o leitor em que espaço físico que se encontra, elucida sua
poética com minúcias de detalhes da natureza, a estrofe segue com a descrição do monte
situada geograficamente pelo eu lírico, (v 9-15), quanto à natureza ao redor em que o braço
de mar que constitui o rio Félix, e a cidade de Abássia, região junto ao Mar Vermelho antig
cidade chamada Berenice, um lugar quente, famosa por ter algumas das melhores termas d
Egito, segue descrevendo o Cabo De Guardafui, na Somália, no Continente Africano na
entrada do Golfo de Aden e Mar Arábico, a vértice chamado de Corno da África apresenta
uma natureza triste e mórbida, onde mal há vida vegetal e periências vividas naquele espaço
físico em um determinado tempo de sua vida, deixa transparecer sua subjetividade,
manifestando que sente, seu estado de ânimo como no (vv 23,24,25),entrar pela garganta
deste braço,/me trouxe um tempo e teve,/ minha fera ventura.
Nos versos(vv 26-27) os adjetivos” remota”, “áspera” e “dura”destaca o quanto está animal,
O sujeito lírico inicia a canção descrevendo uma região desagradável, com uso de adjetivos
expressivos sobre a natureza como “seco”,”fero”, “estéril”, “calvo”, “informe”, um lugar
considerado feroz .
Com destaque para o verso 5, “nem rio claro corre, ou ferve fonte”, para a falta de perspectiva de
vida do lugar, pois a água simboliza a vida.
nele aparece o Cabo com que a costa
africana, que vem do Austro correndo,
limite faz, Arómata chamado
(Arómata outro tempo, que, volvendo
os céus, a ruda língua mal composta,
dos próprios outro nome lhe tem dado).
Aqui, no mar, que quer apressurado
entrar pela garganta deste braço,
me trouxe um tempo e teve
minha fera ventura.
Aqui, nesta remota, áspera e dura
parte do mundo, quis que a vida breve
também de si deixasse um breve espaço,
porque ficasse a vida
pelo mundo em pedaços repartida
O autor continua expondo as características do espaço físico ao qual fazem parte as suas
lembranças do continente Africano. O Cabo De Guardafui é cenário com o mar Vermelho
como sendo moldura a suas breves mas profundas experiências vividas naquele espaço físico,
solitário, em um ambiente distanciado árduo e remoto, em um determinado tempo de sua vida.
Aqui me achei gastando uns tristes dias,
tristes, forçados, maus e solitários,
trabalhosos, de dor e d'ira cheios,
não tendo tão somente por contrários
a vida, o sol ardente e águas frias,
os ares grossos, férvidos e feios,
mas os meus pensamentos, que são meios
para enganar a própria natureza,
também vi contra mi
trazendo-me à memória
algüa já passada e breve glória,
que eu já no mundo vi, quando vivi,
por me dobrar dos males a aspereza,
por me mostrar que havia
no mundo muitas horas de alegria.
O (v 31)“Aqui me achei gastando uns tristes dias”o eu lírico se faz conhecer diante
da falta de perspectiva diante do tempo gasto em que seus dias passam sem sentido,
o valor semântico dos verbos “achei” e “gastando” reforçam a inutilidade do tempo
diante de suas dificuldades. A descrição do espaço físico como um lugar inóspito e
seus pensamentos como em um embate diante de uma vida difícil e que não somente
a natureza lhes opunha um dificuldade, o próprio sujeito lírico se apropriará de
pensamentos para enganar o momento vivido. Aos adjetivos “tristes”, “forçados,”
“maus, “solitários”, afirma a solidão do eu lírico. O uso do adjetivo triste entre a
palavra” dias” sedimenta o pensamentos e sentimentos do sujeito lírico, os
versos(37-42) retratam seu estado de pensamento /mas os meus pensamentos, que
são meios/ para enganar a própria natureza,/ também vi contra mi/ trazendo-me à
memórique eu já no mundo vi, quando vivi.
O advérbio “aqui” evidencia que existe o “lá”, sua pátria distante e o lugar ao qual
se encontra, com a alma solitária, atormentada, reforçado pelas paticularidades da
natureza sua volta.
Aos adjetivos “tristes”, “forçados,” “maus, “solitários”, reafirma o lugar de solidão.
Aqui estiv'eu co estes pensamentos
gastando o tempo e a vida; os quais tão alto
me subiam nas asas, que caía
(e vede se seria leve o salto!)
de sonhados e vãos contentamentos
em desesperação de ver um dia.
Aqui o imaginar se convertia
num súbito chorar, e nuns suspiros
que rompiam os ares.
Aqui, a alma cativa,
chagada toda, estava em carne viva,
de dores rodeada e de pesares,
desamparada e descoberta aos tiros
da soberba Fortuna;
soberba, inexorável e importuna.
A estrofe apresenta o eu lírico no relato das experiência e sua convivência neste
espaço na África, (vv 55-57) Aqui, a alma cativa, /chagada toda, estava em carne viva,exprime todo seu sentimento
e não direito e sonhar.
Seus pensamentos em que o tempo passa rápido demais. e se transforma em desespero que
exprime em choros e suspiros nos versos(vv 46-48), A forma verbal utilizada “gastando”,
o eu lírico confere a seus dias uma brevidade que se vale do tempo e a vida.Aqui estava eu com
estes pensamentos / gastando o tempo e a vida; os quais tão alto / me subiam nas asas, que caía”.
O destino tratado como Fortuna , destino visto de forma negativa pelo reptiçao do adjetivo
soberba, (vv.60-61) “soberba Fortuna / soberba, inexorável e importuna” (vv.60-61)
Não tinha parte donde se deitasse,
nem esperança algüa onde a cabeça
um pouco reclinasse, por descanso.
Todo lhe he dor e causa que padeça,
mas que pereça não, porque passasse
o que quis o Destino nunca manso.
Oh! que este irado mar, gritando, amanso!
Estes ventos da voz importunados,
parece que se enfreiam!
Somente o Céu severo,
as Estrelas e o Fado sempre fero,
com meu perpétuo dano se recreiam,
mostrando-se potentes e indignados
contra um corpo terreno,
bicho da terra vil e tão pequeno.
Estrofe começa exatamente com o poeta expondo o sofrimento físico e psicológico do eu lírico
que ao se deixar imolar pelo destino, em suas dores, a segunda parte da estrofe a
natureza como testemunha, alheia de sua impotência agravada pela ausência da amada causando seu
sofrimentoe sensação de pequenez. O espaço e o tempo como co-responsável, em que a natureza é descrita
às vezes como testemunha indignada outra vezes em regozijo com seu padecimento e falta de
esperança. O barulho das ondas do mar é citado, relembrando o espaço físico onde
se desenrola as lembranças melancólicas do poeta.
Se de tantos trabalhos só tirasse
saber inda por certo que algu'hora
lembrava a uns claros olhos que já vi;
e se esta triste voz, rompendo fora,
as orelhas angélicas tocasse
daquela em cujo riso já vivi;
a qual, tornada um pouco sobre si,
revolvendo na mente pressurosa
os tempos já passados
de meus doces errores,
de meus suaves males e furores,
por ela padecidos e buscados,
tornada (inda que tarde) piadosa,
um pouco lhe pesasse
e consigo por dura se julgasse;
A terceira estrofe o eu lírico se faz presente falando de algo que o culpa, seus “doces errores”
(V85 )Se o ouvissem o tiraria do sofrimento, porém a personagem de “olhos claros e “orelhas
angélicas” a amada poderia abrandar seu sofrimento, mas não lhe dava ouvidos devido a
lembranças e mágoas passadas. O Eu lírico deixa expresso o seu sentimento de impotência diante
dos fato de querer e a musa não corresponde ao seu sentimento e amor, “tornada – inda que
tarde – piadosa”, ela é dura, não o perdoa. O adjetivo “angélicas”eleva a mulher amada ao estado
metafísico, inacessível ao eu lírico. É pela amada que o sujeito lírico passa dias se lamentando.
Tal revelação se dá através de um jogo de “ouvir ou falar”, onde ele deseja que
sua ‘triste voz”, que na verdade, é uma metaforização do pensamento, concretizada no canto,
fosse ouvida por ela,(vv.79-81) lembrava a uns claros olhos que já vi / e se está triste voz, rompendo
fora, / as orelhas angélicas tocasse / daquela em cujo riso já vivi. O adjetivo “angélicas” eleva a
mulher amada ao estado metafísico longe do alcance, inacessível ao eu lírico.
isto só que soubesse, me seria
descanso para a vida que me fica;
co isto afagaria o sofrimento.
Ah! Senhora, Senhora, que tão rica
estais, que cá tão longe, de alegria,
me sustentais cum doce fingimento!
Em vos afigurando o pensamento,
foge todo o trabalho e toda a pena.
Só com vossas lembranças
me acho seguro e forte
contra o rosto feroz da fera Morte,
e logo se me ajuntam esperanças
com que a fronte, tornada mais serena,
torna os tormentos graves
em saudades brandas e suaves.
O pensamento lhe forças para se sentir livre esperançoso com as lembranças da Amada.
(vv 99-101), Só com vossas lembranças/ me acho seguro e forte/ contra o rosto feroz da fera
Morte,/ e logo se me ajuntam esperanças/
Aqui co elas fico, perguntando
aos ventos amorosos, que respiram
da parte donde estais, por vós, Senhora;
às aves que ali voam, se vos viram,
que fazíeis, que estáveis praticando,
onde, como, com quem, que dia e que hora.
Ali a vida cansada, que melhora,
toma novos espritos, com que vença
a Fortuna e Trabalho,
só por tornar a vervos,
só por ir a servir-vos e querer-vos.
Diz-me o Tempo, que a tudo dará talho;
mas o Desejo ardente, que detença
nunca sofreu, sem tento
m'abre as chagas de novo ao sofrimento.
O poeta deixa clara a saudade que sente da pessoa amada que está distante, se reporta a natureza
a como a mesma pudesse satisfazer seus desejos de olhar e tocar a mulher amada saber como ela
vive, que faz em seu dia a dia , sentir a sua presença anima a natureza e em constrate, a
ausência da amada é responsável pela secura e aridez do espaço ocupado por ele.O “Desejo
ardente” lhe vale todos sofrimentos, as lembranças, não ter como vê-la e só o tempo poderá
ajudá-lo a resolver o problema mas, desejá-la é mais forte que o tempo e abre-lhe as feridas do
sofrimento.
Assi vivo; e se alguém te perguntasse,
Canção, como não mouro,
podes-lhe responder que porque mouro.
Findando a poesia questionamento de si mesmo, personificado no eu lírico sobre os dissabores
do Desejo e sonho, em que se sente vivo por morrer de amor, pois o amor que lhe dá sentido em
viver.
Os dilemas e as contradições que dilaceram a sensibilidade, a vontade e a
inteligência exprimem-se (...) nos oxímoros e paradoxos tão frequentes na
literatura maneirista. No commiato da canção IX , Camões retoma uma das
antíteses e um dos paradoxos da mais bela tradição na poesia amorosa,
desde a Idade Média até o Barroco. (AGUIAR E SILVA, 1994, p.120).
A Canção apresenta o eu lírico imerso em seus pensamentos que o atordoam, em vão tenta
se livrar de tais pensamentos , mas as lembranças o fazem sofrer ainda mais, diante de um
provável bem, longínquo, inalcançável, o passado e presente se contraponto, entre a natureza
inóspita e consciência da interdição que lhe foi imposta.
O pessimismo diante do mundo ao qual o tempo, denota, uma significância, ao despertar no eu
lírico toda sua angústia, o sentimento de que o tempo passa sem que se possa mudar o s
acontecimentos simplesmente em desenganos tornar sua vida vazia, sem sentido, parada diante do
tempo, assim como tudo que o rodeia, o espaço em que a natureza inóspita, o sol ardente, as
águas frias e os ares grossos contribui para a sensação de tristeza logo nas primeiras estância do
poema.
O tempo tem um fator primordial diante dos sentimentos do sujeito lírico pois simboliza a sua
impotência diante do passagem do tempo mostra que o passado foi inoportuno e sem
oportunidade de retorno,O presente se mostra pior do que o passado mas lhe dá esperança me o
que pouca que se possa ser menos cruel no futuro.
A relação com o tempo, sempre negativas, preocupados com as mudanças do mundo e a vida,
são características do maneirismo ,uma obsessão angustiante destes poetas sem direito ao sonhos.
Para os maneiristas o tempo tem um papel fundamental devido a brevidade das coisa e dos bens
do mundo
A diversidade de gêneros e subgêneros encontrados nas poesias do século XVII, apresenta singular
idade poética de profunda agudeza pelos poetas seiscentistas, com vasto registro de suas obras em
sonetos, romances décimas, canções, madrigais, e glosas,com destaque para a sua produção na
Península Ibérica e no Brasil Colônia.
A lírica de Camões datada nesta mesma época é dada ao conhecimento desde a mais sua tenra
idade ao ser enviado a Universidade que de Lisboa para iniciar seus estudos, aprimorando seus
conhecimento e a descoberta de seus primeiros amores e paixões que lhe renderam os primeiros
ensaios, a Egloga 5.
A sua poesia de uma vivacidade impressionante, que suas canções permanece até os dias atuais
como objeto de estudo para questões contemporâneas, temáticas e semânticas de Camoẽs,
ao homem, que dada a qualidade específica do poeta, pode ser melhor avaliada no contexto em
que sua obra foge da norma do que por aquilo que com a norma se conforma.(Helder, Pag 25
O Processo de escrita poética desde a antiguidade se utiliza da imitation atrelada a inspiração
poética em que a mimese é um fator decorrente da intertextualidade instituída pelos poetas na
produção de suas obras.
“Fica caracterizado no processo de construção da canção o conceito e transformatio, uma
vez que o poeta aproveita, de maneira inusitada, essa descrição da natureza, a fim de
obter um efeito inverso ao tradicional, ou seja, não o faz para exaltar a beleza feminina,
nem como forma de se buscar um confidente; sua intenção é, na verdade, tornar explícito
o quanto está isolado solitário, deprimido, angustiado”.(idem paulo Roberto conceição)
Virgílio em sua clássica poesia épica, A Eneida, se apropria da estruturação dos poemas de
Homero, e de certa forma, elucida a caminhada de Enéias ao Lácio como a viagem de Ulisses
em Ilíadas e Odisseu em Odisseia .
Camões ao mimetizar a estrutura poética antiga, dá vida nova a sua poética em que a diferença,
é como o vinho novo em garrafas antiga inovando sobre o absoluto preconcebido, como afirma
Helder Macedo.
A genialidade de Camões ao compor os Lusíadas na emblemática viagem de Vasco da Gama
sublinhando em seus versos muito de sua a caminhada pelos Continentes Africano, pela Índia,
Indochina, onde esteve desde mais tenra idade estabelecendo contato com as diversas culturas
de lugares tão diferentes de Portugal, por 17 anos consecutivos, até seu retorno ao seu país.
Luís de camões se utiliza do resgate ao passado da poesia de nomes como Virgílio, Homero,
Petrarca e outros poetas da antiguidade, o neoplatonismo renascentista, em que a linguagem é
feita de passados e não de futuros, porém aberto ao novo e ao diferente, em que a mímese permite
ao poeta renascentista, em um mundo em transição, um projeto de ordem para um mundo de
excesso, se é que não mesmo um projeto de razão para a desrazão do
mundo (Helder macedo, p.16.).
Foi assim um poeta mais da dúvida do que da certeza, da ruptura mais do que da continuidade,
da experiência mais do que da fé, da imanência mais do que da transcendência, de uma
sexualidade indissociável da espiritualidade do amor e no fim da sua demanda, de uma
fragmentação encontrada no lugar da felicidade desejada.
O retorno ao passado em que a intextualidade de textos clássicos da antiguidade é mimetizada
para se criar no presente uma nova contexto literário, propicia a lírica á Camoẽs elevar a língua
portuguesa a ser tão bem cantada como a italiana de Dante, como um alquimista experimental
dos sentimentos humanos, Camoẽs ao contrário de seus mestres que viam a matéria como como
obscuração ao espírito, inversamente busca a unidade espiritual na multiplicidade da matéria
manifestada, se constituindo no poeta do amor diferenciado pela uitas faces amor divino pelo amor
humano, ao alcance dos homens, a vontade direciona para o humano e não ao divino, partindo de
valores preconcebido para reformulação de verdades metafísicas, em que sua originalidade em
imperceptíveis deslocamentos semânticos, modulando uma linguagem do passado para a
ressignificação de uma nova visão de vida no mundo real contrapondo a ordem do absoluto divino.
O poeta do amor, a mulher amada, angélicamente simbolizada neste processo unificada em em sua
multiplicidade, permite aos leitores se deleitte sobre os versos de amor para além do que o poeta se
manifesta, em que a experiência subjetiva introduzidas no espaço semântico poético como no
Soneto (Soneto “Enquanto quis Fortuna que tivesse”)(Soneto “Pois meus olhos não cansam, de
chorar”). O leitor pode se inserir na contexto do poeta.
O poeta se evidencia na poesia portuguesa com sua canção clássica caracterizada pela forma
e temática em que se aborda o sofrimento de amor , as fragilidades da vida, a mudança,o tempo
que passa inevitavelmente , mostrando se uma poesia reflexiva de confissão em que é visto um
profundo amor e respeito ao homem. Suas canções refletem a perspectiva do maneirismo com
características apontada pela incerteza e pela instabilidade, que não pode ser considerado um
período de contestação, negação, de referenciais clássicos, pois ainda se utilizava muito das
técnicas e referenciais clássicas como inspiração, foi um período de transição para o Barroco.
É impossível compreender o Maneirismo se não se compreende o fato de que a
sua imitação dos modelos clássicos é uma fuga do caos ameaçador, e que o
grande esforço subjetivo das suas formas é a expressão do medo de que a forma
venha a cair na luta com a vida, e de que a arte venha a se desvanecer numa
beleza sem conteúdo. (HAUSER, 1982, p.474).
As características da poesia lírica de Camões e sua especificidade está na suavidade, graça, na
amenidade de conceitos, qualidades de quais dependem, outros componentes de sua poesia.
A utilização de rimas equivocadas, jogo de palavras, e rimas forçadas ,quando as cesuras rimam
entre si, permite mais de uma possibilidade de leitura do poema, que sob o olhar de António
José Saraiva, um estilo engenhoso. O tempo, características do maneirismo, ocupa um espaço
indispensável em que a nuance do tempo destaca a vulnerabilidade humana diante da brevidade
das coisas e dos bens do mundo como os versos de Camoẽs:
Que me quereis, perpétuas saüdades?
Com que esperança(s) ainda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais
e, se torna, não tornam as idades.
[...]
Aquilo que já quis é tão mudado,
que quase é outra cousa, porque os dias
tem o prime[i]ro gosto já danado.
De Camões e a sua cronologia poética não se sabe ao certo pois os registros questionáveis, em
vista que o próprio poeta não o fez em vida, estima -se que os registros tenham se perdido, no
Parnaso durante o naufrágio que sofreu em sua viagem a Moçambique, no continente africano,
e somente após sua morte, houve publicações reunindo seus textos compilados em que os
primeiros editores se defrontaram com a ambiguidade autoral de inúmeras composiçoẽs, o
resultado das alterações que foi ou não de sua autoria e o que chamamos autenticamente
camoniano, ao qual foram muitos os cortes e acréscimo de sua obras durante o século XVI que é
questionável o que se tornou autêntico da obra camoniana .
Sendo assim, podemos entender um pouco melhor a instabilidade do corpus da lírica camoniana
e a deficiência cronológica de suas obras.
REFERENCIAS:
BARRETO, Feio; MONTEIRO. Obras Completas de Luís de Camões Lisboa: Stanford University Libraries, 1843
LACHAT, Marcelo. A lírica amorosa seiscentista: poesia de amor agudo. 2013 .298 f.(Pós – Graduação) – Letras Literatura Portuguesa Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.
HELDER Macedo. Luís de Camões e agora.
Comentários
Postar um comentário